Rombo nas contas externas é maior para janeiro em 5 anos

Por Redação 22/02/2020 - 00:00 hs

As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 11,879 bilhões em janeiro deste ano, com aumento de 31,3% na comparação com o mesmo mês de 2019.

Foi rombo o maior para o período desde 2015, ou seja, em cinco anos. Os números foram divulgados ontem pelo Banco Central (BC).

O déficit em transações correntes, um dos principais sobre o setor externo do país, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

De acordo com o BC, a piora no rombo das contas externas na parcial deste ano se deve, principalmente, à piora do saldo da balança comercial (que registrou déficit no primeiro mês deste ano), uma vez que as contas de serviços e rendas registraram pequena melhora no começo deste ano.

Em todo ano passado, o déficit das contas externas do Brasil subiu 22%, para US$ 50,762 bilhões.

Para todo ano de 2020, a expectativa do Banco Central é de uma nova piora no déficit em transações correntes, para US$ 57,7 bilhões de resultado negativo.


Investimento estrangeiro

O Banco Central também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 5,618 bilhões em janeiro deste ano, com pequena queda frente ao patamar do mesmo mês de 2019 (US$ 5,828 bilhões).

Com isso, os investimentos estrangeiros não foram suficientes para cobrir o rombo das contas externas no acumulado deste ano (US$ 11,879 bilhões).

Quando o déficit não é “coberto” pelos investimentos estrangeiros, o país tem de se apoiar em outros fluxos, como ingresso de recursos para aplicações financeiras, ou empréstimos buscados no exterior, para fechar as contas.

Em todo ano passado, os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 78,559 bilhões em 2019, com pequena alta frente ao ano anterior.

Para 2020, o Banco Central estima um ingresso de US$ 80 bilhões em investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira.