Pandemia agrava problemas de visão

Por Redação 12/08/2020 - 00:00 hs

A maior causa de deficiência visual no mundo é a falta de óculos de

grau. A informação é da OMS (Organização Mundial da Saúde). O

levantamento demonstra que a prevalência dos problemas de visão varia

entre os países. Por aqui, a falta de correção da presbiopia que

dificulta enxergar de perto a partir dos 40 anos e dos erros de

refração - miopia, hipermetropia e astigmatismo – respondem por 53%

das deficiências visuais evitáveis. Superam, inclusive, a catarata,

opacificação do cristalino, que no Brasil responde por 49% da perda

reversível da visão, contra 35% nos países mais ricos.


Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido

Burnier, a pandemia de coronavírus piorou ainda mais a saúde ocular do

brasileiro. Isso porque, os prontuários do hospital mostram que 53% dos

brasileiros acreditam ser possível perceber qualquer alteração na

visão logo no início. Não é bem assim. O médico afirma que a

maioria das doenças passam despercebidas no início.  Por isso, para

preservar a saúde dos olhos é necessário acompanhamento médico. A

quarentena e o medo da Covid-19, comenta, fizeram muitas pessoas

falharem na periodicidade das consultas oftalmológicas. Resultado: Na

retomada das atividades do hospital, uma das queixas mais frequentes tem

sido a dor de cabeça decorrente de lentes de contato e óculos com grau

desatualizado.


Mais horas online


O oftalmologista afirma que outra causa da dor de cabeça é o aumento

de horas em frente ao computador para realizar trabalhos home office.

Isso porque, em frente às telas fazemos menos movimento com o globo

ocular e diminuímos de 20 para seis ou sete vezes o número de

piscadas. “Por isso, quem usa computador ou celular por mais de 2

horas tem cefaleia, olho seco e visão embaçada. Para reduzir o

desconforto nos olhos as dicas são: diminuir o brilho e aumentar o

contraste da tela, olhar para um ponto distante com frequência, piscar

voluntariamente e manter a iluminação ambiente difusa.


Risco das lentes de contato


  “Muitas horas online entre pessoas que usam lente de contato,

principalmente do tipo gelatinosa, provocam a quebra mais rápida do

filme lacrimal”, salienta.  O risco é ainda maior no inverno porque a

baixa umidade aumenta o ressecamento da lágrima e facilita a formação

de depósitos na lente. Estes fatores, ressalta, podem provocar

alterações na textura, coloração e transparência da lente por causa

de sua maior fricção na superfície do olho.


Por isso, recomenda consultar um oftalmologista e interromper

imediatamente o uso da lente quando os olhos apresentarem vermelhidão,

sensação de corpo estranho e visão embaçada.  Em muitos casos,

ressalta é necessário trocar a lente antes do vencimento. As dicas do

especialista para  o uso seguro de lente de contato são: jamais dormir

com lente, limpar e enxaguar a  lente e o estojo só com solução

higienizadora, nunca enxaguar com água, trocar o estojo a cada quatro

meses, respeitar o prazo de validade e  interromper o uso sempre que

sentir algum desconforto.


Miopia em crianças


O especialista afirma que a dupla jornada online de crianças navegando

um período para estudar e outro para brincar aumenta o risco de miopia.

Isso porque até os 8 anos de idade o olho está em desenvolvimento e o

excesso de esforço visual para enxergar as telas próximas contrai a

musculatura ciliar dos olhos que perdem a capacidade de focalizar à

distância. Isso ficou demostrado em um levantamento feito por Queiroz

Neto com 360 crianças de 6 a 9 anos. É a miopia acomodativa, uma

dificuldade temporária de enxergar à distância. O médico afirma que

este tipo de miopia pode ser eliminado com mudança de hábitos,

atividades ao ar livre que aumentam a produção de dopamina e controle

do consumo de açúcar que interfere no crescimento do eixo óptico de

crianças. O problema, comenta, é que a pandemia dificulta a prática

de exercícios por crianças que vivem em apartamentos sem opção de

espaços abertos. Ainda assim, um banho de sol na varanda do apartamento

é melhor que permanecer o tempo todo em ambientes fechados olhando para

uma tela.


Envelhecimento e doenças crônicas


Queiroz Neto afirma que o rápido envelhecimento da população

brasileira vem acompanhado do aumento de casos de catarata que acumula

pessoas na fila de espera do SUS por causa da diminuição das cirurgias

eletivas durante a pandemia. O único tratamento para catarata,

ressalta, é a cirurgia que consiste no implante de uma lente

intraocular que substitui o cristalino opaco. Ele conta que recentemente

recuperou a visão de uma paciente que tinha grande chance de ficar

definitivamente cega por ter comorbidades. Na pandemia, ressalta, muitos

portadores de doenças oculares crônicas que podem levar à perda

irreversível da visão como o glaucoma, retinopatia diabética e

degeneração macular falharam no acompanhamento dessas doenças.  Por

isso após a pandemia os casos de cegueira definitiva podem aumentar no

País, conclui.