Número de incêndios em vegetação em Uberaba cresce no primeiro semestre

Por Redação 19/07/2020 - 00:00 hs

7 de julho de 2020: bombeiros controlam incêndio em vegetação às margens da BR-050, próximo ao bairro Alvorada em Uberaba; cerca de 10 hectares de pastagem foram queimados


22 de junho de 2020: jiboia de quase 2 metros é encontrada morta após incêndio em vegetação no Distrito Industrial 3 em Uberaba


6 de junho de 2020: incêndio em vegetação se propaga e atinge galpão no bairro Fabrício em Uberaba


Um balanço divulgado pelo 8º Batalhão de Bombeiros Militar (8º BBM) - apresentado pela TV Integração - mostra que 303 incêndios em vegetação foram registrados em Uberaba de janeiro a junho deste ano. O número é 10% maior que o primeiro semestre de 2019, quando ocorreram 275 registros, e 30% maior que o primeiro semestre de 2018, quando foram 231 registros.

Infelizmente, os números ainda podem disparar já que, de acordo com a corporação, o período em que ocorrem mais incêndios começa no dia 15 de julho e vai até o final de setembro. As ocorrências são registradas, principalmente, de sexta-feira a domingo, entre 13h e 17h. A média é de 20 registros por dia, podendo chegar a 35 durante a estiagem.

Segundo os bombeiros, 99,1% desses incêndios são causados por ação humana, seja por descuido ou intencional: muitos começam como queimadas controladas, mas por causa do tempo seco, acabam tomando grandes proporções. A situação é preocupante, porque gera prejuízos não só para o meio ambiente, mas também para a população.

Para evitar que os casos aumentem, a prevenção e a conscientização são cruciais. De acordo com o comandante do 8º BBM em Uberaba, tenente-coronel Anderson Passos, a recomendação é que sejam feitos aceiros – que são aberturas na vegetação impedir a propagação de incêndio – e evitar utilizar fogos ou objetos que produzam fagulha próxima ao mato seco. "A gente espera conter a grande quantidade de incêndios que, muitas vezes, são simultâneos. Já chegamos a ter 20 solicitações ao mesmo tempo. Então, a solução não é aumentar a quantidade de bombeiros e de viaturas, mas diminuir a quantidade de pessoas que ateiam fogo. Isso é uma mudança cultural, urgente, que é necessária para mudar a nossa condição de risco e agressão ao meio ambiente", afirmou Passos.

No gráfico abaixo, é possível observar que, em todos os anos, junho foi o mês que teve mais registros de incêndio em vegetação, coincidindo com o início do inverno e do período de estiagem.


OBS. Para buscar o gráfico


https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2020/07/12/numero-de-incendios-em-vegetacao-em-uberaba-cresce-no-primeiro-semestre-de-2020.ghtml


Até o sábado (11), o risco de queimadas em Uberaba foi considerado muito alto, conforme a plataforma de alertas do 8º BBM.

Entre os vários impactos imediatos das queimadas, três são os mais evidentes, conforme André Guimarães, representante da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), explicou em 2019: Perdas de biodiversidade: tanto a vegetação quanto os animais sofrem com a destruição; Perdas de qualidade do solo: a terra fica menos fértil e gradualmente mais frágil; Problemas de saúde: a tendência é aumentarem os casos de doenças respiratórias nas cidades próximas às queimadas.


Ações - Ainda de acordo com o tenente-coronel Anderson Passos, o Corpo de Bombeiros promove ações de conscientização sobre incêndios, como visita em escolas e comunidades rurais e treinamento de brigadistas.

Este ano, por causa da pandemia da Covid-19, a corporação investiu na produção de materiais informativos, lives e videoaulas para brigadistas. Desta forma, foram evitadas aglomerações.

Para ajudar no combate às queimadas, o Corpo de Bombeiros também investiu na melhoria de equipamentos e treinamentos das equipes, além de intensificar a fiscalização junto com a Polícia Militar de Meio Ambiente, qualificando as áreas queimadas e tentando identificar as causas do incêndio. "O proprietário da área é responsável por prover as formas de prevenção. Então, quando ocorre incêndio em vegetação, a gente observa se a área tinha brigadistas, aceiros, etc. Quando não tem, isso é reportado ao Ministério Público, que vai avaliar o caso e saber o motivo de medidas preventivas não terem sido tomadas", contou Passos.

Outra iniciativa do 8º BBM foi instituir em Uberaba, Araxá, Frutal e Iturama o Plano de Auxílio Mútuo (PAM), no qual empresas de uma mesma região se unem e atuam de forma cooperada em casos de emergência.


Orientações - As orientações do Corpo de Bombeiros para quem passar ou tenha contato com áreas de vegetação seca são: não fume; não acenda fogueiras, fogos de artifício ou balões; vigie qualquer objeto ou equipamento que gerar fagulhas; jamais realize contra-fogo sem a autorização do Corpo de Bombeiros.

Em caso de emergência, deve ser feito contato com o Corpo de Bombeiros pelo número 193. Informações e denúncias sobre o sobre incendiários podem ser repassadas de forma anônima através do número 181.

Conforme o artigo 41 da Lei Federal 9.605/98, provocar incêndio em vegetação é crime ambiental com pena entre dois a quatro anos de prisão, além de multa.