Com a crise do Coronavírus, Uberaba realiza audiências remotas

Por Marconi Lima 27/03/2020 - 00:00 hs

Com a crise do Coronavírus,  Uberaba realiza audiências remotas
Medida mantém na cadeia presos que cometeram crimes graves

O País e o mundo praticamente pararam com a ameaça biológica trazida pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2), causador da doença covid-19. Mas alternativas intimamente ligadas à tecnologia têm sido apresentadas pelo Judiciário para que serviços essenciais não deixem de ser prestados à população.

Um bom exemplo foi a audiência realizada em Uberaba, com praticamente todos os envolvidos no processo trabalhando em casa, através de videoconferência, sem a necessidade da presença física no fórum da comarca.

A audiência determinou que o servente de pedreiro Diego Vagner Carvalho Silva, preso por tentativa de latrocínio no final do ano passado, continuasse atrás das grades e não fosse solto por excesso de prazo, pois ainda não foi julgado e condenado. Outras audiências vêm sendo realizadas com o mesmo propósito.

O diretor da Comarca de Uberaba, juiz Fabiano Garcia Veronez, titular da 2ª Vara Criminal, explica que, após as medidas de emergência de isolamento impostas pela pandemia, praticamente todos os dias estão sendo realizadas audiências por videoconferência, utilizando o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A maioria dos envolvidos permanece em casa. Somente as testemunhas comparecem ao fórum, sem ter contato físico com outros servidores. De acordo com o juiz, a Portaria Conjunta 19/PR-TJMG/2020, expedida em 16 de março, estabelece a revisão de prisões provisórias para evitar a aglomeração de pessoas, que aumenta o risco de contaminação pelo coronavírus.

A portaria prevê prisões domiciliares para infrações mais leves, após revisão judiciária. Em vários casos, as audiências são necessárias para evitar a soltura de presos que cometeram crimes mais graves, pelo excesso de prazo na instrução. "Se tais audiências não forem realizadas, poderemos colocar nas ruas responsáveis por delitos graves, pondo em risco a população", explica o magistrado. (ML)