Arahilda Gomes Alves

Cadeira 33 ALTM; membro Academia Poetas Portugueses e Academia Letras e Artes Portugal

Por Reflexões 17/05/2020 - 00:00 hs

Entre a fantasia e a realidade

Acordei tarde, porque a noite me manteve insone. O corpo cansado de encher um tempo todo a seu dispor. Liga- se TV, folheia-se outra vez os muitos livros, toma do celular apinhado de notícias no Face e no whatsapp. O cansaço desse tempo à sua disposição se agiganta expulsando o sono que teima dançar a sua volta. Deita-se, levanta-se, olha as horas que não passam. Volta-se à cama, recolhe-se sob as quentinhas mantas. Os olhos procuram a janela entreaberta saudando a escuridão da madrugada.

O pensamento busca imagens. Fantasias que se misturam à realidade. Uma quarentena que já duplicou de tamanho. E a realidade procura abrigo. Saudades da família: netos, filhos, irmãos, sobrinhos acostumados a passeios domingueiros, sorver almoço especial, curtir papo solto em volta da mesa. 

-Vou pedir umas” selfies” deles...E a gente que criticava tanto a falta da comunicação ao vivo, porque o celular nos tomava o tempo de fazer “ ponte aérea “entre nossos olhares!

Aí chega visita indesejável mudando completamente, a rotina do seu lar, que continua doce, porquanto a gente se empanturra de doce e bombons...

Vem traiçoeira, navegando por terra, mar e ar. Mensagens pipocam sobre ela, que veio de tão longe, de uma China trazendo em sua bagagem, a devastação, o medo, a insegurança. E se mistura num carnaval sem folguedos às raças e às gerações de todas as idades enterrando sonhos ou, quando pode, protelando acontecimentos. 

E o viajor maldito, que chegou com anseios de trazer à Ciência, novo protocolo de curas, se infiltra por mentes doentias desviando objetivos à procura de novos e ambicionados voos numa guerrilha de atitudes maldosas. A política se intromete. Desvairados partidos querem tomar o pódio de potências escravizando-as, dominando-as em negociatas de falsas atitudes.

A morte espreita e o surto recomeça na pandemia anárquica de vaidades a serem reconquistadas a alto preço.

Um covil de embusteiros digladia-se entre o certo e o errado. Faixas, panelaços, carreatas pedem passagem em meio às máscaras em que se escondem o bem e o mal, o bandido e os caras lavadas da política interesseira, que em se tratando do nosso Brasil, parece querer enterrar em covas rasas, a esperança de uma nação.

Parece que o vírus de uma falsa coroa ou a corona vírus subiu à cabeça de uma plateia vesga, que se considera incólume, enquanto a plebe ignara chora os seus mortos!

Não há crise que sempre dure. O Brasil tem que caminhar. Olhos malditamente traiçoeiros não desbotarão as cores de uma histórica bandeira corajosamente tremulando por terras que mentes doentias procuram arrasar!